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PROJETO CARDISOMA


Parque Costeiro da VALE - Praia de Camburi, Vitória/ES

Ciência no Parque Costeiro

O Projeto Cardisoma estuda os fragmentos de manguezais do Parque Costeiro na Praia de Camburi, monitorando a população dos Guaiamuns através dos experientes pesquisadores do ESOLab - Laboratório de Estudos do Sistema ACO (UFES).

Por que "Cardisoma"?

Um crustáceo muito especial

Cardisoma é o nome do grupo (gênero científico) no qual está incluído o caranguejo guaiamum (Cardisoma guanhumi). Eles apresentam uma taxa de crescimento extremamente lenta, levando cerca de 8 anos em média para a carapaça atingir 7 cm de largura, alcançando maturidade reprodutiva entre 3 e 4 anos de idade. Chegam a realizar mais de 60 mudas (trocas de casca) durante a vida, com longevidade estimada entre 13 e 20 anos. Podem pesar até meio quilo!

Eles estão em risco

O guaiamum consta na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (Portaria MMA nº 445/2014). A captura e a comercialização de indivíduos retirados da natureza são totalmente proibidas, para permitir a recuperação da população da espécie em todo o território nacional.


Portanto, o Parque Costeiro é um refúgio do caranguejo guaiamum, espécie ameaçada de extinção, e esse projeto ajuda a entender sua abundância e distribuição na área do Parque.

O que um Guaiamum faz pela natureza?

É o maior caranguejo terrestre e de mangue do Brasil. Suas escavações resultam na aeração do solo, contribuindo com o aumento da absorção de água. Quando o guaiamum carrega folhas e frutas para dentro da toca, proporciona a retenção de nutrientes no solo e o aumento da sua produtividade.

O Guaiamum é uma espécie guarda-chuva

Se você protege o Guaiamum...

...protege também o Caranguejo-Uçá

...protege também o Caranguejo-Uçá

Caranguejo Goiamum de cor azulada intensa saindo de sua toca, em terra seca.

 Uma espécie guarda-chuva é aquela que precisa de uma grande área de habitat para viver. Proteger essa espécie significa, indiretamente, proteger todo o seu ambiente; por consequência salvando centenas de outras espécies que compartilham o mesmo espaço. O Guaiamum (Cardisoma guanhumi) vive em buracos perto de manguezais e áreas úmidas (apicuns). Para proteger o Guaiamum, é necessário preservar vastas áreas de manguezal e vegetação costeira. Ao preservar áreas naturais para o Guaiamum, centenas de outras espécies de aves, peixes e crustáceos locais também são salvas.

...protege também o Caranguejo-Uçá

...protege também o Caranguejo-Uçá

...protege também o Caranguejo-Uçá

O Caranguejo-Uçá (Ucides cordatus) vive na lama dos manguezais e é muito valorizado na culinária capixaba, sendo fonte de renda e alimento para populações costeiras tradicionais. O Espírito Santo já foi autossuficiente na produção do caranguejo, mas atualmente estima-se que 75% do crustáceo comercializado venha de outros estados, segundo o Instituto Goiamum, uma das maiores referências no assunto (fonte). Os períodos de defeso do caranguejo-uçá ocorrem ao longo do ano, quando os caranguejos saem de suas tocas para acasalar (também chamados de "andada"), evento que tem relação com as fases da lua. Nesses dias, a captura, o transporte e a venda ficam proibidos para proteger a reprodução da espécie.

Por que proteger os manguezais?

Manguezais são ecossistemas importantíssimos que criam barreiras naturais contra tempestades e o aumento do nível do mar, além de funcionarem como sumidouros de carbono. Conhecer mais sobre os manguezais contribui para a implementação de iniciativas de recuperação e conservação. 


Você sabia que o Parque Costeiro abriga o único manguezal associado a pedras de Vitória? 


Diferente dos manguezais que desenvolvem-se no meio da lama nos estuários de água salobra, os Manguezais de Pedra crescem sobre rochas na beira de praias, em um ambiente altamente salino, caracterizando um ecossistema pouco estudado no Brasil.

Ações do Projeto Cardisoma

- Coleta das fezes dos Guaiamuns para análise de indicadores químicos de contaminação por plástico (ftalatos).

- As tocas de Guaiamuns são contadas, medidas e classificadas quanto seu uso.

- Avaliação do manguezal do Parque Costeiro (árvore mais alta, espécies vegetais, diâmetro na altura do peito, dentre outros parâmetros).

- Os dados de floresta de mangue serão utilizados em fórmulas alométricas (método não destrutivo) para estimar a área basal da floresta, sua biomassa e o sequestro de carbono relacionado ao manguezal local.

Inovação

Este projeto de pesquisa proporcionará o estabelecimento de um programa de monitoramento da população do Guaiamum e dos manguezais ocorrentes no Parque Costeiro da Vale, utilizando abordagens não letais e inovadoras; o que possibilitará desenvolver melhores estratégias para sua conservação.

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